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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Poesia das coisas soltas de um poema sem dor



Quando dei por mim já tinha sido jogado aqui,
Sugado pelas coisas,
Inebriado por suas pernas como paisagem.
Era como se todos os olhos estivessem com suas retinas
Pairando sobre meu rosto que
Também olhava fixamente para um ponto distante daqui
Desse futuro medonho, estranho e quase interminável.
Sou de uma solidão tão inconstante
Que dos cantos onde guardei o mundo
Só restou a poeira da minha fatigada dor.
Seguro o peso do mundo sobre minhas costas
E ele nem paga o aluguel.
O que enxergo é algo que as pessoas não podem ver
Meu sentimento é escrotamente intenso,
Não sou vulnerável e nem minto o que não se pode ser omitido.
Desejo apenas um mundo confiável,
Uma pessoa de portas, mentes e corpo aberto.
Além disso, quero ser como a brisa leve do vento,
Uma dose forte de conhaque,
E ter a força de um espumante para continuar sobrevivendo...
E bebendo...
E sonhando...
E amando...
E amargando...
E beijando...
E correndo...
E me conhecendo!

terça-feira, 14 de junho de 2011

PONTO FINAL.




Para ouvir ao som de Ângela Rô Rô


Tudo na minha vida é muito intenso,
E por essa intensidade toda,
Torna-se um pouco cruel e devastador
Pensar em felicidade.
Acho que vou com muita sede ao pote,
Mas às vezes me esqueço que o meu próprio pote
É raso demais para absorver tudo o que querem me dar.
Hoje estou jogando muita coisa pra fora de mim,
Fazendo uma limpeza mesmo
Varrendo pra debaixo do tapete da alma
Um pouco de carinho, de afeto, de esperança, de palavras, de amor...
Escrevo o que as pessoas não gostariam de ler,
Escrevo como se fossem quebrar os meus dedos e aprisionar os meus sonhos.
Minhas palavras caem em cima das pessoas,
Como um turbilhão de pensamentos incansáveis.
Como fazer dessas frases soltas
Algo construtivo, ser um humano construtor de
Emoções, que a flor da pele fariam de você
A pessoa certa para estar ao meu lado.
Isso é loucura de jogar nas pessoas
As coisas que eu gostaria de gritar
É como um cancro devastador
De um câncer maligno que nunca vai melhorar.
Sou um ser humano feito de palavras e amor
Sou um pensador que vive das esperanças ocultas
De alguém que sabe o gosto de tentar e conhece
O sabor amargo de ter que desistir.
Quero apenas poder dizer que amor
É feito violão sendo dedilhado
Pelas mãos do autor de uma canção
Onde cada nova sensação vira nota
Escandalizada pela sinfonia da ilusão.
Todos nós somos poetas de um mundo devastado,
Sombras de alguém que já venceu.
Eu não gosto de nada...
Não gosto de ter que virar a cara para
Reverenciar as conveniências repletas de maus tratos
De quem nem senso tem.
Nesse caso nem eu...
Hoje sou uma página em branco
Sublinhada de títulos provisórios
Que em suas entrelinhas,
Só se escreverão frases de rancor, dor e ódio.
Não adianta poetizar o mundo e todos os dias trair as pessoas.
Ponto final.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Poesia




Só posso me defender com palavras,
Logo quero ser poeta,
Escrever frases feitas, porém perfeitas
Dentro do meu coração.
Quero ser poeta de um mundo solitário
De poesias inconstantes.
Quero ouvir minhas palavras
Saindo da tua boca.
Esse amor é feito navalha cortando meu peito,
Deixando-o como um espelho
Que se quebrou... Pedaços.
Apenas o que sinto agora
É um sentimento de liberdade
Por isso estou apenas tentando viver
Para correr contra o vento e num dia de chuva
Sentir sua água passeando sobre a minha pele
Como se fosse as suas mãos transitando em meu corpo.
Isso é sonho e tudo o que é sonho e meu, pois
As palavras se vão com o tempo...
Não sou poeta!
Sou um escritor dos meus pensamentos
Escrevo inspirado em alguém;
Sou apenas humano, já me perdi do Ser
Mas ainda acredito no que posso vir a ser.
Vivo então tentando,
Não ser o melhor do mundo... Mas do infinito.
Infelizmente sou finito... Um átomo.
Sou pequeno por fora, mas sinto a grande importância
Que represento para mim mesmo por dentro.
Não, não quero ser eternamente correto,
Quero ser politicamente poético.
A minha poesia sou eu
Transcrito letra por letra
Numa folha de papel, antes em branco,
E agora serve de rascunho para o
Ballet dos meus pensamentos.
Sou poeta porque quero ser,
Nasci para poetizar o mundo.
Apenas a poesia poderá concertá-lo.
Sou uma angústia em forma de correção.
Amo sempre o que é longe e escuro,
Exatamente o que sou?
Sou um poeta do amor,
Escrevo sempre pela dor da espera.
Espero tanto que me dá medo
De nunca encontrar a poesia certa
Para rimar com o meu coração.
Amo a poesia porque amo a flor
Amo a dor
Amo essa espera.
Sou poeta do mundo,
Onde as letras se perderam
Onde alguém as encontrou.
Sou poeta onde o rio corre contra a maré
E me leva para longe dos meus versos
Das minhas frases irônicas.
Um dia vou encontrá-las de novo
E aí serei poeta das minhas próprias poesias.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Erroneamente errado!


Entre todos os meus muitos defeitos, o maior deles é amar... Ser alguém perdido de amor no labirinto dos meus pensamentos. Sempre me envolvo errado e me perco ainda mais a cada dia. Vivo constantemente essa coisa de perder.Minha vida se esvai como os grãos de areia de uma praia deserta. Acostumo-me a cada dia que acordo a não saber amar, e sempre me desiludo em me apaixonar errado! Boa noite a todos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O lado bom de continuar


Se te pedir para me dar a mão

Espero que aceites o meu convite e

Deixe-me te levar para conhecer o mundo.

Em uma viajem só de nós dois

Te mostrarei em pequenas doses de beleza

O lado bom, bonito e gratificante de sobreviver.

De continuar sendo um sobrevivente nesse mundo

Com os olhos bem abertos,

Porque assim consigo ver a clareza da vida,

A clareza de tudo que consegui realizar.

Se amei ou deixei de amar;

Sonhei ou deixei de sonhar;

Quando magoei ou quando me magoaram;

Se te enxerguei ou se fiquei cego e

Apático para as coisas que realmente devia ter visto...

Isso pouco me importa agora.

Estamos juntos e isso é o bastante.

A vida agora é mais clara, branca...

Como uma pétala caindo suave sobre o vento.

Sonhar, viver e amar não dói.

O que machuca é não conseguir realizar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Família feliz.




Naquela sala, há muito tempo só havia os escombros de uma família. Havia ainda pessoas mortas, ainda que vivas e respirando. Não se olhavam e nem sentiam mais nada uns pelos outros.Ali existia apenas a mentira misturando-se com a dor a todo tempo.Existia também Henrique, filho do meio do casal, resto de um casamento de ilusões e de muitos tapas na cara, costurando a linha do destino através das bebedeiras do pai, e da apatia da mãe em ver e deixar toda a situação acontecer.Os outros irmãos velavam o corpo do pai morto, como se tivesse sido o melhor pai do mundo; enquanto Henrique, só conseguia se lembrar através dos seus olhos de criança o que sentiu quando tomou o primeiro tapa na cara de seu pai.
Aquela família só existia mesmo no porta-retrato. Não conseguia sentir um pingo de pena em ver o corpo do pai dentro de um caixão, a mãe estava um poço de lamentos e lágrimas. Os irmãos no fundo tinham um misto de pena, raiva e ressentimento. Ele só conseguia sentir alívio de não ter que olhar para o pai cego nunca mais. De não ter que imaginar em que direção seus olhos de bêbado queria alcançar.Alívio, era a única e sucinta palavra que seu cérebro conseguia determinar o significado. Era o único sentimento que nutria em relação ao pai no caixão.
Pela janela, que a mãe acabara de fechar por causa do vento, todos conseguiam ver a chuva caindo e ouvir a voz gritante de uma tia do interior cortando o silêncio histérico que fazia na sala, dizia: "- Deve estar levando muitas saudades!". "- Deve sim!" Pensava Henrique. Saudade da casa que quebrara inúmeras vezes, do olho roxo que fizera em seu irmão menor, da surra que dava em sua mãe até o nariz sangrar... Devia estar levando muitas saudades sim.Saudade da tortura imposta a três crianças, que agora estavam libertas de seus fantasmas do passado.Só não conseguia entender o desespero da mãe.O porquê de tanto sofrimento.
Com os olhos vermelhos, os irmãos por parte de pai chegaram. Depois de mais de dez anos sem ver o pai, fizeram uma entrada triunfal. A irmã que deu o golpe no pastor da igreja universal, casando-se apenas por dinheiro, chegara agarrada aos filhos como uma boa samaritana, a outra que desfez o casamento do chefe e ainda casou-se com ele, tirara da bolsa um óculos escuros e deu um beijo na testa do cadáver, o irmão mais velho sacudiu a cabeça e pensou o mesmo que Henrique: " - O que estamos fazendo aqui?"
O que de mais engraçado existia ali era a figura da mãe. Tão melancólica que chegava a ser uma cena patética. Na hora de fechar o caixão se debruçou contra o corpo e gritava como uma cadela no cio. Devia estar sentido falta das porradas e das fraldas sujas de coco e mijo que tinha que trocar todos os dias de manhã logo depois que o pai teve glaucoma, diabetes, pneumonia, entre outras.Engolia antes mesmo do café.Devia sentir falta do papel de coitadinha e de protagonista de uma novela que nunca teve final feliz.Henrique olhava a cena aterrorizado, ao mesmo tempo em que na sua mente via as imagens de sua mãe sendo levada pro hospital, com sangue por todo o corpo, o nariz quebrado e desacordada.
Quando o caixão estava sendo enterrado, as pétalas sendo jogadas pelas pessoas mortas e vivas pensou ser o último capítulo daquela novela sem final feliz, onde tinha sido revelado o segredo do quem matou (nesse caso ele mesmo) e só lhe restava agora a cela fria, escura e novamente a solidão. Ao matar o pai, Henrique matou seu algoz, queria por fim definir sua personalidade.Vendo-lhe a vida escapar por entre os dedos.Faltava exterminar sua deficiência de viver entre as paredes do passado.Faltava-lhe alguém que apontasse o lado engraçado do drama humano.
Lá fora ainda ventava e chovia.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Apenas palavras soltas.


Tenho agora que arcar com as conseqüências dos meus atos. Preciso fazer isso para continuar caminhando.Tudo o que era antes, nunca voltará a ser.É como um cristal que se quebrou.Quem tem o poder de restaurá-lo?Minha consciência está ainda mais perdida no balé dos meus pensamentos e nas coreografias das minhas palavras. Essa angústia tão devastadora dentro do meu ser me faz viver do que já se foi e das coisas que fizemos juntos. Faz-me relembrar e voltar ao museu do cérebro para encontrar as recordações expostas nas paredes do passado do que fomos um dia. Isso são apenas palavras soltas de uma pessoa que não consegue decifrar o que é a vida sem amizade. Enfim, sinto falta do tempo em que éramos amigos.